Parte-se de um bairro “atípico” de Lisboa: o Bairro das Colónias, em Arroios. Desde 2000 que aí teve lugar um processo de rejuvenescimento da população, sendo o espaço habitado por crianças e idosos, portugueses e uma emigração que se estabeleceu, gentes de diferentes origens e meios sociais.

Daí resultou um encontro efetivo, visível na fruição do espaço público e em particular na frequência das escolas. É esse modelo espontaneamente inclusivo que se pretende alargar a toda uma zona da cidade, apostando em cada indivíduo e na promoção da sua história pessoal numa lógica de construção do coletivo.

A mobilização da população residente é assegurada pela adesão das estruturas que compõem a rede social desta zona da cidade, como o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves ou a Junta de Freguesia de Arroios. O seu apoio é decisivo para a motivação dos habitantes do bairro, mas também para a facilitação dos espaços que melhor podem adaptar-se à sua real implicação.

Em resultado das especificidades deste território, BAIRRO AO ESPELHO trabalha em dois níveis: aproveita a excelência de criadores e artistas residentes, envolvendo-os com a comunidade onde habitam, e promove a coesão social através da arte, valorizando o conhecimento mútuo e do território partilhado.

Verdadeiramente heterogéneo, o Bairro das Colónias apresenta uma forte dinâmica relacional, informal mas concreta, à margem do preconceito. Nesse sentido, BAIRRO AO ESPELHO é um projeto concebido pela comunidade para a comunidade, implicando-a e devolvendo à população em geral o trabalho realizado em conjunto, valorizando o sentimento de pertença.

À parte desta dimensão, BAIRRO AO ESPELHO procura colmatar a carência de espaços/ equipamentos culturais, potenciando o encontro entre a cada vez maior presença de criadores nas mais diversas áreas (artes visuais e performativas, design, novos media), quer como moradores quer como trabalhadores, e a restante população residente.

O corpo de trabalho resultante de BAIRRO AO ESPELHO constituir-se-á, por isso, como um retrato fidedigno (artístico, mas também social), atual e retrospetivo, desta zona da cidade.